Chapecoense: Um ano depois, relatório do acidente ainda não saiu

Foto: RAFAELA FELICCIANO

Um ano depois do desastre aéreo, é como se o tempo tivesse estacionado. Principalmente porque as famílias não sabem, até hoje, a quem culpar. Há cerca de um mês, o Ministério Público Federal de Santa Catarina, estado de origem do clube, concluiu inquérito no qual afirma que a Chape não foi negligente ao contratar a empresa aérea LaMia. Enquanto isso, a companhia tenta se esquivar da culpa, jogando a responsabilidade para o piloto, que também morreu no acidente.

O governo colombiano, responsável pela investigação oficial, ainda não divulgou o relatório final sobre o que teria levado à queda do avião. A expectativa era de que o documento fosse apresentado antes de a tragédia completar um ano, mas agora a promessa é de que isso ocorra até o fim deste ano.

O fato de a investigação envolver três países com legislações distintas – Brasil, Colômbia e Bolívia, já que a LaMia seria boliviana – só traz mais complicações na busca por justiça. No entanto, um quarto elemento somou-se à confusão jurídica: as investigações teriam chegado até a Venezuela, pois informações preliminares do Ministério Público colombiano dão conta de que uma importante família do país controla, à distância, a companhia aérea. Entre os chefões estariam Loredana Albacete Di Bartolomé e seu pai, Ricardo Albacete Vidal, ex-senador do país.
Por enquanto, um relatório preliminar aponta como culpados os donos oficiais da LaMia e autoridades do governo boliviano. São eles: Celia Castedo, funcionária da empresa que administra os aeroportos na Bolívia; Joons Teodovich, à época supervisor do tráfego aéreo do país; Gustavo Vargas Gamboa, diretor-geral da LaMia; Gustavo Vargas Villegas, filho de Gamboa e alto funcionário da direção-geral de aviação civil; além de Marco Rocha, um dos donos da empresa aérea.

Indenização

As famílias das vítimas não receberam praticamente indenização alguma. Até agora, os parentes dos jogadores mortos só contaram com as rendas de alguns amistosos realizados para arrecadar fundos e os seguros do clube (14 vezes o salário do jogador) e da Confederação Brasileira de Futebol (12 vezes a remuneração do atleta).

A seguradora Bisa – que deveria pagar cerca de US$ 25 milhões, ou R$ 80 milhões – recusa-se a repassar o valor, sob a alegação de que o acidente ocorreu por erro do piloto Miguel Quiroga. A empresa propôs indenizar em US$ 200 mil (R$ 646 mil) cada família, mas, para isso, ao menos 51 delas precisariam desistir de qualquer ação judicial, o que não ocorreu.

Na luta por justiça, famílias e amigos criaram duas organizações. A primeira, chamada Associação Brasileira das Vítimas do Acidente com a Chapecoense (Abravic), recebeu, no último mês, R$ 28 mil para apoiar as vítimas. A promessa é que o valor passe a ser depositado mensalmente. A outra, a Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense (Afav-C), por enquanto, dá apenas suporte psicológico.

As primeiras investigações indicaram que a falta de combustível teria levado à queda do avião. O “fator humano” também foi apontado como possível causa da tragédia. No entanto, as famílias ainda aguardam o relatório final sobre o que teria levado ao desastre.

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